Ok, este parece um blog de agência de emprego, só falo nisso! Mas agora a notícia é boa. Consegui um emprego bacana. Ok, não é na Urban Outfitters (chuinf, chuinf), mas como disse o Gus: eu já fui chamada para uma entrevista na UrbanOut depois de apenas dois meses aqui, oras. ;)
Mas amanhã eu assino meu contrato num restaurante japonês daqui. Serei garçonete. O restaurante é daqueles que tem uma esteira e os sushis ficam passando, sabe? Tem também mesas estilosas e o lugar é bem legal - todo designer.
Não é nenhuma rede, deve ser um negócio de família. Tem três branches, sendo uma no litoral. O salário é bom, vou poder viver aqui sem ter que pedir dinheiro para meus pais. O cardápio é em inglês e japonês, ou seja, vou ter três semanas de treinamento para aprender ingredientes e nomes em duas línguas. Acho um aprendizado válido, sabe? E o restaurante fica na City, coração financeiro da cidade. Trabalho em horário de escritório: das 10h da manhã às 6h da tarde. Segunda a sexta. Sem complicações. O que é um sonho em Londres você não ter que trabalhar night shift ou nos fins de semana. E eu demoro exatos 25 min da porta da minha casa para a porta do restaurante, excelente. E pra melhorar: fica perto da casa do Gus. E ele pode me visitar depois do trabalho. :)
A má notícia é que hoje eu cheguei e tava tocando um baião, xote, xaxado, algum ritmo do Pará ou whatsoever. Ou seja, a cozinha é composta de brasileiros. Que não falam um pingo de inglês. E gente, eu não sou preconceituosa. Aliás, meu namorado se surpreende com a quantidade de letras de músicas ruins eu sei cantar de cór. Outro dia eu cantei para ele uma música inteira que depois fui descobrir no Google que era do Netinho. Ou seja, eu tenho um bom conhecimento do merdão (seja ele pop ou qualquer outro ritmo). Mas, meo, quer vir pra Londres? Venha. Esta cidade é um tesão mesmo. Mas sabe o mínimo que você pode fazer aqui? Dar oi e tchau. Tudo bem? Quero o número dois com coca-cola. Com licença? Um quarto para duas pessoas, por favor. Vir para cá sem falar um pingo da língua eu acho até meio falta de respeito. Tipo gringo vindo pro Brasil e ficando puto que ninguém fala inglês. Enfim. Os caras da cozinha são brasileiros. E trabalham na cozinha porque não precisa falar inglês para lavar prato. Mas dar cantada na moça nova eles conseguem: e em alto bom português. Eu fingi que não era comigo. Dois deles ficaram falando para o outro: você que fala inglês, pergunta pra ela da onde ela é, pergunta pra ela da onde ela é. Perguntou. Eu sou da Itália. Que cidade? Uma pequena lá, perto de Vicenza. Ahhh.
Tutto benneeeee?
É de morrer. Morro de vergonha de brasileiro no exterior e italianos também são total latin lovers. Eu tenho o melhor de dois mundos no meu sangue. Êba.
Mas eu só vou ate a cozinha para levar a louça suja e pegar os pedidos, tipos, eu não fico hanging out there. Então menos mal. O meu grupo de trabalho é bem legal, pessoal gente fina. O meu manager é muito simpático e disse que não tem problema eu não saber muito de comida japonesa, eu vou aprender rápido. Cara, ele confiou no meu taco e com isso eu voltei a confiar também. E obrigada, Lali, por sempre confiar também, xuxu. ;)
Eu acho que vai ser uma experiência super boa e acho que no pain no gain. Um dia eu vou trabalhar na UrbanOut sendo redatora de web para eles, mas o momento não era o certo. Garçonete é bom porque o trabalho fica no trabalho e é isso mesmo. Não sei se conseguiria levar um puta emprego junto com um puta mestrado. Talvez eu pifasse em algum momento.
Enfim. Estou confiante e estou empolgada com a possibilidade de almoçar comida japonesa todos os dias. Adoro comida japonesa, veja só. E cara, não vou ter que lidar com bêbados e pessoas inoportunas. Apenas com engravatados comendo rapidinho antes de voltar pro trabalho. :)